Resenha - A Coroa

Livro: A Coroa
Autora: Kiera Cass
Editora: Selo Seguinte, Cia das Letras
Páginas: 312

Sinopse: Em A herdeira, o universo de A Seleção entrou numa nova era. Vinte anos se passaram desde que America Singer e o príncipe Maxon se apaixonaram, e a filha do casal é a primeira princesa a passar por sua própria Seleção. Ela não acreditava que encontraria, tal como seus pais, um amor verdadeiro durante o concurso. Mas alguns candidatos conseguem abrir rachaduras nas muralhas que Eadlyn construiu em volta de si mesma, principalmente de seu coração. Aos poucos, os Selecionados se tornam seu porto seguro, ao mesmo tempo que a fazem enxergar como é a vida fora da bolha em que vive.
E ela realmente está precisando: os acontecimentos no palácio obrigam Eadlyn a assumir cada vez mais responsabilidades no governo, e a garota não tem escolha a não ser encarar a rejeição do público. Seu maior desafio é se aproximar do povo, mostrando que se importa e que tem capacidade de governar. Tudo isso enquanto a pressão para escolher um marido só aumenta — e um garoto em particular começa a tomar conta de seu coração.

Esse texto contém spoiler.

Resenha:


“O que eu ia fazer? Ahren não estava aqui para me guiar mais, e eu estava preocupada que eu ia fazer erros atrás de erros sem ele. E por que ele não tinha me ligado ainda? Por que ele não estava no primeiro vôo para casa?
O que eu faria se eles tirassem os tubos da garganta da mamãe e ela não conseguisse respirar por conta própria? De repente, percebi que embora eu nunca tinha pensado em casar e ter filhos de uma maneira específica e pessoal, eu sempre imaginei ela dançando em meu casamento e murmurando frases ternas sobre o meu primogênito. E se ela não estivesse lá para fazer isso?
Como eu poderia tomar o lugar de meu pai? Hoje eu me desgastei até os ossos. Eu não poderia me imaginar fazendo isso todos os dias durante as próximas semanas, muito menos durante os anos que eu teria que reinar quando eu realmente herdasse o trono.
E como é que eu ia escolher um marido? Quem era a melhor escolha?
Quem o público aprovava mais? Aquela era mesmo uma boa pergunta para se fazer?
Ou era mesmo o correto?”

É assim que começa o último livro da série. A Coroa tem início com Eadlyn completamente confusa: seu irmão e confidente não está mais com ela; sua mãe está em coma, e Maxon se recusa a sair do lado dela; além disso, Eady ainda tem uma Seleção para dar conta. É coisa demais para ela, que se sente perdida e desamparada.
O mais importante a se notar no começo desse livro é a mudança de atitude da Eadlyn. Antes uma princesa mimada e disposta a não deixar ninguém entrar em seu coração, ela agora começa a se abrir mais, a mostrar um lado mais doce e divertido, mais amoroso até. Ela fica disposta a permitir que as pessoas entrem em seu mundo. Isso se dá, principalmente, porque Eadlyn vê o amor de perto: a devoção de Maxon para com America; e a paixão de Ahren por Camille. No fundo, Eadlyn anseia viver isso também, e isso faz com que ela volte mais seus olhos para os rapazes que ainda estão na Seleção. Apesar de deixar seis deles, eu sempre considerei Kile, Henri e Hale como os princpais concorrentes, oficialmente falando. Digo isso porque ainda há Erik, e não podemos ignorar as cenas da princesa com ele.

“Dei de ombros, preparada para desviar do assunto, mas em vez disso eu lembrei que, se eu estava tentando ter uma chance de felicidade de alguma forma, eu tinha que deixar alguém ultrapassar minhas barreiras.”

Queria abrir um parênteses para uma questão importante: eu li alguns comentários de pessoas falando que esse livro é muito mais político do que romântico. A meu ver, a Kiera tentou manter a atenção do leitor em ambas as questões; além disso, vale lembrar que a Eadlyn é a herdeira do trono, enquanto que a America (narradora da primeira parte da série) não era uma princesa ainda e suas únicas preocupações na seleção eram os romances e as garotas que disputavam com ela, e não necessariamente as questões do país (mesmo que isso tenha sido abordado em alguns momentos). São visões muito diferentes.
Com Maxon afastado, Eadlyn assume temporariamente o trono de Illéa. Mas ela não alcança a posição de cuidadora apenas do país, mas também em casa. É interessante notar a evolução de Eadlyn com seus irmãos Kaden e Osten, e como ela tenta confortá-los. A mesma coisa pode ser dita da Seleção, que antes Eadlyn tratava como se não significasse muita coisa, mas agora percebe que é importante, não apenas por questões políticas, mas porque ela quer experimentar o amor, e ela sente que alguns daqueles rapazes podem lhe oferecer isso. Temos momentos muito fofos dela com alguns dos garotos, principalmente Kile, Henri e Erik. Somado a isso, enquanto toma conta do país, Eadlyn consegue alguns aliados importantes, como Lady Brice, e mantém ao seu lado Leger, que está sempre pronto para ajudá-la. Aos poucos, ela vai se mostrando uma boa líder. Nesse momento é que surge Marid, filho de August e Georgia, que parece estranhamente interessado em ajudar Eady. Suas atitudes são belas e altruístas na superfície, mas na verdade escondem desejos mais profundos.
Eadlyn mantém essas pessoas por perto, acreditando que esse é o caminho para se tornar uma boa governante. Enquanto Eady está às voltas sendo rainha e conduzindo uma Seleção, America desperta e as coisas aparentemente voltam ao normal. Mas é aí que percebemos uma evolução muito grande em Eadlyn, quando ela decide que seus pais já estão muito cansados com o fardo de governar um país, e ela decide assumir o trono antes do previsto. É uma atitude altruísta e corajosa, que mostra como ela parou de se importar apenas com ela mesma e passa a ver os interesses de outras pessoas também. Eadlyn enfrenta alguns problemas quando se torna rainha, principalmente relacionado a Marid. Ela percebe que, na verdade, Marid influencia a imprensa com seu charme, fazendo-os acreditar que ele e Eadlyn formariam o par perfeito. E ele não faz isso por amor, faz pelo poder. Marid acaba se tornando perigoso para Eadlyn, que precisa pensar em uma maneira de vencer essa disputa implícita com Marid. Essa parte é razoavelmente bem conduzida pela Kiera, mostrando a evolução da Eadlyn que governará o país.
Mas a Eadlyn que precisa escolher um dos rapazes não foi bem construída pela autora. Ela teve momentos aqui e ali com uns garotos, e conseguiu se sair bem com toda a Elite. Mesmo entre ela e os que não foram escolhidos, não houve ressentimentos. Gunner vai embora sabendo que os dois não formam um bom par; Ean e Hale se apaixonam durante a seleção; Fox compreende que a princesa não tem sentimentos por ele; restam então Henri e Kile. Mas a verdade é que o coração de Eadlyn, subitamente, já tem dono e ele é Erik. Na verdade, é até meio óbvio a Kiera colocar um Selecionado que precisa de um intérprete e esse intérprete não ter nenhuma valia na história; é claro que Erik teria alguma importância. Mas achei tudo muito súbito e irreal. Sim, eles tiveram seus momentos, mas não acho que tenha sido nada tão grandioso a ponto de Eadlyn jurar com todas as forças que ele é sua alma gêmea. Enfim.
Com Eadlyn tendo consciência de que seu amor pertence a Erik, e de que ela precisa de uma manobra inteligente pra riscar o nome de Marid, todas as cartas estão na mesa. Eadlyn sabe que não pode escolher Erik, pois isso significaria quebrar regras, então ela acaba decidindo por Henri. A escolha mais óbvia seria Kile, mas ao perceber a paixão do rapaz por arquitetura, ela sabe que não pode tirar isso dele, trancando-o em um castelo para sempre. Então, Eadlyn toma a decisão de banir Kile para que ele possa realizar seus projetos. Por mais que muitas pessoas torcessem por Kile, achei esse final até compreensível. As atitudes da Eadlyn (de banir Kile e de não ficar com Erik em detrimento das regras) mostram o quanto ela amadureceu, passando da menina egocêntrica para uma mulher que se preocupa com quem ama e com seu povo.
Minutos antes do anúncio de quem ganhou a Seleção, Henri diz a Eadlyn e Erik que percebe o que os dois sentem e que eles deveriam ficar juntos. Diante disso, Eadlyn procura pelo pai, outra atitude que mostra como ela amadureceu. Mesmo já sendo rainha, Eadlyn busca conselho e o apoio dos pais. Maxon, é claro, diz que ninguém vai matá-la por quebrar uma regra por amar alguém. Eadlyn, então, fica com Erik no final, e ainda consegue acabar com a jogada de Marid, declarando que Illea agora será um país com monarquia constitucional. Com o poder dividido, Marid não pode mais almejar governar o país sozinho. Sendo assim, Eadlyn consegue seu amor e ainda salva o país (e ela própria) de cair nas garras de Marid.

Opinão final: As atitudes de Eadlyn durante esse livro mostram aquilo que eu tinha dito na resenha anterior: A Herdeira e A Coroa são livros que não tratam apenas de romance. A perspectiva principal aqui é a jornada de Eadlyn como pessoa. Mas, ainda assim, achei tudo muito confuso. Acredito que Kiera quis entregar uma obra mais madura, algo que não focasse apenas no romance, mas acabou criando uma trama rasa. Eu falei em alguns momentos da resenha em como notamos a evolução de Eadlyn, e sim, ela evoluiu muito como pessoa. Mas isso não é bem explicado, ela passa de uma princesa mimada para uma pessoa altruísta de uma hora pra outra; a decisão quanto a Kile é tomada subitamente; e o sentimento dela por Erik foi muito forçado, não houve muita coisa que os configurasse como um casal com a intensidade de sentimentos que eles diziam ter um pelo outro.
Claro que isso acarreta em alguns pontos mal desenvolvidos, como foi o caso do romance, mas ficamos orgulhosos de ver a pessoa que Eadlyn se tornou, e isso faz valer a pena ler esse livro.

2 comentários:

  1. Olá!
    Li até "A Herdeira" e você não sabe o alívio que me deu quando eu li que a personagem amadurece, porque ela no outro livro estava me dando nos nervos, haha.
    Parabéns pela resenha e pelo blog! Estou seguindo <3

    Beijão
    Leitora Cretina

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    Respostas
    1. Olá!
      Ela amadurece muito, mas é como escrevi, não achei as coisas bem desenvolvidas. Mas, pelo menos, não fica aquela chatinha mimada pra sempre, né.
      Obrigada <3
      Beijos.

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