Resenha - Mau Começo

Livro: Mau Começo
Autor: Lemony Snicket
Editora: Seguinte
Páginas: 152
Sinopse: 'Mau começo' é o primeiro volume de uma série em que Lemony Snicket conta as desventuras dos irmãos Baudelaire. Violet, Klaus e Sunny são encantadores e inteligentes, mas ocupam o primeiro lugar na classificação das pessoas mais infelizes do mundo. De fato, a infelicidade segue os seus passos desde a primeira página, quando eles estão na praia e recebem uma trágica notícia. Esses ímãs que atraem desgraças terão de enfrentar, por exemplo, roupas que pinicam o corpo, um gosmento vilão dominado pela cobiça, um incêndio calamitoso e mingau frio no café da manhã. É por isso que, logo na quarta capa, Snicket avisa ao leitor: 'Não há nada que o impeça de fechar o livro imediatamente e sair para uma outra leitura sobre coisas felizes, se é isso que você prefere'.





Resenha:
Mau Começo é o primeiro livro da série Desventuras em Série, escrita por Lemony Snicket. Logo de cara, o autor já nos alerta que esse livro é bastante desagradável e que, se você quer ler sobre coisas alegres, é melhor largar esse livro. Claro, isso só nos dá mais vontade de ler Mau Começo, e é bem legal a forma como o autor interage com o leitor, e isso acontece durante toda a leitura.
A escrita do Lemony foi uma das coisas que eu gostei, mas a história é realmente muito boa. Nesse primeiro volume, conhecemos os três desafortunados órfãos Baudelaire: Violet, a mais velha e grande inventora; Klaus, o irmão do meio, devorador de livros; e Sunny, a mais nova, ainda bebê, que adora morder qualquer coisa. Logo nas primeiras páginas, os irmãos recebem, através do Sr. Poe, a notícia da morte dos pais e descobrem que eles terão que morar com seu parente mais próximo. Como os três são acostumados a viver na cidade, o parente mais próximo geograficamente é o Conde Olaf, grande antagonista do livro.
Nosso primeiro contato com o Conde Olaf já começa quando nos deparamos com a casa horrível dele. Tijolos encardidos, duas pequenas janelas mantidas fechadas, uma torre alta e suja, e um olho sinistro na porta da frente. Quando finalmente conhecemos o Conde Olaf, não há maneira de não sentir asco do personagem. Alto, magro, de aspecto sujo, com uma única sobrancelha bem comprida acima dos dois olhos; e ele ainda tem o mesmo olho que está na porta tatuado no tornozelo.

“Ficaram imaginando quantos outros olhos não haveria na casa do Conde Olaf, e veio-lhes um pressentimento de que, para o resto de sua vida, estariam sempre se sentindo sob a estreita vigilância do conde Olaf, mesmo quando ele não estivesse perto.”

O autor consegue muito bem nos passar as sensações necessárias para continuar a história e se prender a ela. A raiva e o nojo que sentimos pelo Conde Olaf, junto com a simpatia e identificação que acabamos por sentir pelos órfãos Baudelaire, nos fazem torcer desesperadamente para que os planos do conde deem errado. Sem contar que a única motivação de Olaf para atormentar os Baudelaire é seu desejo de colocar as mãos na fortuna deles, já que a herança só pode ser utilizada quando Violet atingir a maioridade, e a garota tem apenas 14 anos.

“A não ser que vocês tenham tido uma sorte rara, raríssima, na vida, certamente terão passado por experiências que os fizeram chorar. Ou seja, a não ser que tenham tido essa sorte raríssima, vocês sabem que uma boa e longa sessão de choro é capaz de melhorar nosso ânimo, mesmo que as circunstâncias se mantenham as mesmas. Foi o que aconteceu com os órfãos Baudelaire.”

Nesse trecho, está um exemplo, dentre vários que eu poderia citar aqui, que fazem com que a gente se identifique com os protagonistas. Lemony conta a história como se estivesse conversando com a gente, tomando café numa tarde amena. Eu achei isso muito bom, essa proximidade que ele cria com o leitor. Parece que a história é real e aconteceu com crianças que poderíamos conhecer, mesmo com o caráter um tanto fantasioso de algumas situações. Nós torcemos pelas crianças, odiamos o Conde Olaf (principalmente porque o cara não tem realmente nada de bom), e ficamos na dúvida acerca das intenções de outros personagens. A má sorte das crianças Baudelaire é tanta que desconfiamos de tudo e de todos que estão por perto deles, exceto os amigos do Conde que realmente sabemos que só desejam o mal das crianças.

“O que havia de realmente assustador em Olaf, ela se deu conta, era a sua inegável esperteza. Não se tratava de apenas um bêbado grosseirão e desagradável, mas de um bêbado grosseirão, desagradável e esperto.”

Acompanhamos as maquinações de Olaf e sua gangue, suas ideias macabras, planos diabólicos e sua falta de escrúpulos. Tudo isso para colocar as mãos na fortuna dos Baudelaire. Fiquei chocada com algumas coisas que Olaf fazia, o que realmente nos faz lembrar que Lemony nos avisou de que absolutamente nada de bom acontece com essas crianças.

“No final das contas, os órfãos Baudelaire tiveram que lidar com catástrofe em cima de catástrofe, e Violet considerava a situação deles lamentavelmente deplorável.”

As situações a que são submetidos os Baudelaire vão acontecendo desordenadamente, desgraça em cima de desgraça, parece que eles nunca vão conseguir se livrar da má sorte que os rodeia, e isso faz com que a gente leia o livro rapidamente, sem se dar conta. O livro é pequeno, a narrativa é rápida, há ilustrações, então ele pode facilmente ser lido em um dia. A leitura é fluida e se desenvolve rapidamente.
Eu gostei bastante do livro, e recomendo pra quem sempre quis ler essa série, que comece logo. É uma ótima leitura!
 

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